Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Ney Matogrosso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ney Matogrosso. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de agosto de 2014

Cazuza - Pro dia nascer feliz, O Musical

No último domingo, me surpreendi novamente ao assistir Cazuza - Pro dia nascer feliz, O Musical. E mais uma vez chego a concluir que, realmente os atores selecionados para interpretar e cantar os grandes ícones da música brasileira são escolhidos a dedo e ouvidos. Recentemente vi Elis, A Musical, já falado aqui, e fiquei mais surpreso com os diálogos da atriz Laila Garin do que da sua voz nas canções da Elis Regina. Nesse caso, tanto os diálogos quanto as canções de Cazuza são perfeitamente reproduzidos pelo jovem ator carioca Emílio Dantas que incorpora o homenageado em voz e trejeitos.

O musical abrange a vida de Agenor de Miranda Araújo Neto, vulgo Cazuza, desde a sua infância, na escola, até o seu fatídico fim, vitima da Aids, em 1990, aos 32 anos. 

Barão, Ezequiel e Bebel.
Dono de um temperamento inquieto, Cazuza saiu de casa com 21 anos para fazer um curso de fotografia no exterior em 1979. No ano seguinte, voltou para o Rio e ingressou no grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, ao lado dos atores Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães, no Circo Voador. Foi lá que ele se apresentou cantando pela primeira vez. Foi então que o cantor e compositor Léo Jaime, recusado como vocalista pelo grupo Barão Vermelho, indicou Cazuza para os seus integrantes. Algumas de suas canções foram gravadas pelo Barão no disco de estreia e outras tantas foram escritas com o novo parceiro musical, Roberto Frejat. Como é o caso de Todo Amor Que Houver Nessa Vida e Bilhetinho AzulO jornalista e produtor musical Ezequiel Neves da Som Livre, gravadora presidida por João Araújo, pai de Cazuza, foi o padrinho, empresário de shows e responsável pela produção dos primeiros discos da banda. Foi parceiro também na composição de algumas músicas, como Por Que A Gente É Assim? e Não Amo Ninguém. A filha de Miúcha e João Gilberto, Bebel Gilberto, tem destaque na peça, ela foi uma das melhores amigas de Caju, apelido que ela deu para Cazuza. Duas músicas do Cazuza, que gosto bastante, foram escritas em parceria com a Bebel, Eu Preciso Dizer Que Te Amo e Mais Feliz

Além da trajetória musical, a peça trata muito da sua vida sexual e amorosa de Cazuza. Fala abertamente do seu relacionamento com Ney Matogrosso e do seu namoro mais duradouro com o amigo de boêmia, Serginho Maciel.

O "Paizinho", apelido carinhoso que Ney recebeu de Cazuza, foi figura importante na vida do jovem carioca. A ascensão meteórica do Barão Vermelho, no inicio dos anos 1980, deu-se graças a gravação de Pro Dia Nascer Feliz, lançada por Ney em 1983. No mesmo ano, Caetano Veloso gravou a música Todo Amor Que Houver Nessa Vida. Dois anos depois, veio o maior evento da banda: cantar no primeiro Rock in Rio, o seu maior público.

Dividida em dois atos, os 170 minutos do musical convence e comove, muito. A direção geral é de João Fonseca e a direção musical de Daniel Rocha.

Atores e seus personagens: Serginho, Dé, Bebel e Cazuza.
Destaque para os atores Susana Ribeiro (Lucinha Araújo), Marcelo Varzea (João Araújo), André Dias (Ezequiel Neves), Thiago Machado (Frejat), Brenda Nadler (Bebel Gilberto), Marcelo Ferrari (Dé Palmeira), Fabiano Medeiros (Ney Matogrosso e Guto Graça Mello), Bruno Narchi (Serginho Maciel) e outros. O carismático ator Bruno Narchi também faz o papel de Cazuza em algumas sessões.

No repertório do espetáculo estão as músicas, em ordem de apresentação: 

Barão Vermelho, acima, e o cover, abaixo.
1º Ato - Exagerado / Pro Dia Nascer Feliz / Odara / My Favorite Things / Edelweiss / Vem Comigo / O Nosso Amor A Gente Inventa / Bete Balanço / Preciso Dizer Que Te Amo / Rock'n Geral / Down Em Mim / Bilhetinho Azul / Carente Profissional / Todo Amor Que Houver Nessa Vida / Faz Parte Do Meu Show / Maior Abandonado / Por Que A Gente É Assim? / Eu Queria Ter Uma Bomba / Mal Nenhum / Mais Feliz. 2º Ato - Ideologia / Codinome Beija-Flor / Malandragem / Blues Da Piedade / Brasil /  O Tempo Não Para / Poema / Vida Louca Vida / Sorte E Azar. E no biz, novamente Brasil.

Segue o registro da banda captado no Rock in Rio, em janeiro de 1985.

Pro Dia Nascer Feliz

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Nada por mim

Quando a música é boa, ganha várias versões. É o caso de Nada Por Mim, música de Paula Toller e Hebert Viana. A canção não foi lançada por nenhum dos dois, eles deviam estar mais interessados em compor juntos do que em gravar - Paula foi casada com Herbert, mas nessa época era casada com o ex-Kid Abelha Leoni. Até o mestre Renato Russo gravou a música com o Legião Urbana, ao vivo, e com o Herbert Viana em outro momento. Selecionei estas para ouvir:

A primeira versão foi gravada por Marina Lima e está no álbum Todas, de 1985.

Nada Por Mim by Marina Lima on Grooveshark






Paula Toller gravou a música com o Kid Abelha em 1986. A faixa está no álbum Kid Abelha ao Vivo.

Nada por mim by Kid Abelha on Grooveshark






A terceira versão é do Ney Matogrosso, está no álbum Beijo Bandido, de 2009.

Nada Por Mim by Ney Matogrosso on Grooveshark




Qual a sua versão preferida?

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O gato preto cruzou a estrada

Passou por debaixo da escada/E lá no fundo azul/Na noite da Floresta/A lua iluminou/A dança, a roda, a festa/.../Bailam corujas e pirilampos/Entre os sacis e as fadas... 
E quem disse que no Brasil não tem Halloween? Saci Pererê, Caipora, Curupira, Mula sem cabeça, Boitatá e Cuca são alguns dos terríveis personagens do folclore brasileiro que quase ninguém se lembra. Eita povo americanizado. Hoje, comemora-se também o dia do Saci Pererê. Figura levada da breca, negrinha, de uma perna só, com gorro vermelho na cabeça e cachimbo aceso na boca; Que faz tranças nas crinas dos cavalos, rouba ovos do galinheiro e faz sumir objetos. Colei muito feijão preto em desenhos de Sacis rodados no mimeógrafo, no primário, para comemorar o Dia do Folclore (22/08). 

Recordei-me também da capa de um disco, que parecia cena de terror, com quatro cabeças decapitadas sobre a mesa posta. Trata-se do primeiro disco do grupo Secos e Molhados, de 1973. O LP ficava num móvel debaixo da televisão, na casa dos avós das minha sobrinhas Márcia e Meire. Na capa estão as cabeças de Ney Matogrosso (vocal), João Ricardo (violão e vocal), Gerson Conrad (violão e vocal) e Marcelo Frias (bateria e percussão). Destaque para as faixas: Sangue Latino, O Vira, Assim Assado, Rosa De Hiroshima e Fala

Lembro-me também das apresentações do grupo no Fantástico. Foi um fenômeno na época, venderam. Segue um registro da época.

O Vira

Curiosidade: O disco vendeu uma quantidade bem maior do que o esperado em seu lançamento. "A gravadora achou que venderia 1.500 em um ano. Vendeu em uma semana. Como o mercado vivia uma crise de vinil, a gravadora começou a pegar os discos que não estavam vendendo e derreter para fazer o nosso." Ney Matogrosso.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

TOP 10 - Ney Matogrosso

Difícil selecionar dez músicas de um repertório tão extenso quanto o do Ney. Difícil encontrar em outro artista tantos predicativos de genialidade e integridade. Com 70 anos de idade, Ney não perde a juventude da voz e do físico. Parece estar sempre na janela vendo o (nosso) tempo passar e tirando o melhor proveito dele para si. Vamos às dez:

1 - Amor Objeto - Gosto de você/Assim, assim/Sem tirar nem pôr!
2 - Não Existe Pecado Ao Sul Do Equador - Vamos fazer um pecado rasgado
3 - Vida, Vida - Linda vida, que mais te faço linda/.../Quero mais...
4 - Promessas Demais - Quem sabe o coração me dirá/Dirá se cabe ou não...
5 - Tanto Amar - É na soma do seu olhar que vou me conhecer inteiro
6 - O Vira - Vira! Vira!/Vira homem/Vira! Vira!/Vira! Vira!/Lobisomem
7 - Por Debaixo Dos Panos - Que a gente/Entra pelo cano/Sem ninguém ver
8 - Sangue Latino - Jurei Mentiras/E sigo sozinho/Assumo os pecados
9 - Homem Com H - Nunca vi rastro de cobra/Nem couro de lobisomem
10 - Bandoleiro - E se falasses magia, sonho e fantasia

sábado, 4 de junho de 2011

Trinca de Ases

Três músicas que adoro: Tatibitati da Rita Lee (música dela e do Roberto de Carvalho), Amor Objeto do Ney Matogrosso (música também da Rita e do Roberto) e Corações a Mil da Marina Lima (música do Gilberto Gil). Pesquisando no You Tube consegui resgatar os clipes das três músicas produzidos pelo Fantástico, TV Globo, na década de 1980. A produção é péssima, mas vale o registro e rememorar os estilos da época.

Tatibitati, 1981


Amor Objeto, 1981

Corações a Mil, 1980

O menos pior é o clipe do Ney. O da Rita Lee... o que são aquelas crianças com cara de o que tô fazendo aqui? E aquele bando de marmanjos correndo atrás da Marina? Meu Deus!!! O que realmente salva são as músicas.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Amor Objeto (letra) - 4º lugar - TOP 10 Nacional

Talvez por acaso
O destino me fez
Cruzar com você
Assim, tão de repente
Como uma nova aventura
Fiquei gamado em você
Doçura!
Fiquei gamado em você
Doçura!

Faça comigo
O que bem entender
Um romance secreto
Um mero namorado...

Um simples objeto de amor
identificado!

Gosto de você
Assim, assim
Sem tirar nem pôr!

De Rita Lee e Roberto de Carvalho
Álbum Ney Matogrosso, 1981

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Singular e Plural!

Talvez por acaso/O destino me fez/Cruzar com você/Assim, tão de repente/Como uma nova aventura/Fiquei gamado em você/Doçura/Fiquei gamado em você/Doçura/Faça comigo/O que bem entender/Um romance secreto/Um mero namorado...
Esta é a música que mais gosto deste outro grande ícone da MPB, Ney Matogrosso. Quando soube que a letra era da minha amada Rita Lee com arranjos de Roberto de Carvalho, então... Não poderia ser melhor. Uma parceria de sucesso.

Lembro-me da época do grupo Secos e Molhados, quando passava no Fantástico os "clips" dos seus maiores sucessos: Sangue Latino, Rosa de Hiroshima e O Vira: O gato preto cruzou a estrada/Passou por debaixo da escada/E lá no fundo azul/Na noite da floresta/A lua iluminou/A dança, a roda, a festa... Me chamava a atenção o seu jeito único de rebolar, os figurinos e a maquiagem do grupo. Um tanto quanto ousado para a época e que serviu de inspiração para os caras pintadas do grupo KissPolêmico no inicio da década de 1970 o grupo, no estilo Glam Rock, soube marcar muito bem seu território numa época bem concorrida de estilos: Samba, MPB, o rock dos Mutantes e da Jovem Guarda...

O que falar deste melhor interprete masculino da MPB?

Singular - humilde, simples, carismático, sensual, charmoso, original e performático -, Ney Matogrosso sempre soube se colocar de maneira integra. Homessexual assumido manteve em segredo seu breve romance com Cazuza. Nunca levantou bandeira a seu favor e fez da sua imagem e da sua carreira, exemplos de dignidade e respeito. 

Plural - lançou a banda Barão Vermelho com o sucesso Pro Dia Nascer Feliz, dirigiu a banda RPM no show Rádio Pirata, gravou sucessos de Tom JobimChico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee, Raul Seixas, Angela Ro Ro, Jorge Aragão, Cartola, entre muitos outros. Fez cinema, fez teatro, escreveu livros, dirigiu shows e peças, fez trilhas sonoras para cinema e teatro...

Gravou 33 discos em mais de 37 anos de carreira. Destaque para as faixas: Amor Objeto, Vida, Vida, Vereda Tropical, Não Existe Pecado ao Sul do Equador, Balada do Louco, Tanto Amar, Promessas Demais, Por de Baixo dos Panos e Bandido Corazon.  

Em 2001 assisti o show Batuque, no Tetro Vitória Hall em São Caetano, com o Miguel e nossos amigos Silvia e Arnaldo. Lugar privilegiado. No palco: luzes, músicos, cenário com coqueiros bordados com lantejoulas, piso imitando as ondas do calçadão de Copacabana, figurinos floridos, trocas de roupa (sem cerimônia) atrás de um biombo de madeira, interpretações de corpo e alma e uma voz afinadíssima. No repertório, sucessos das décadas de 1920, 1930 e 1940: Tico-Tico no Fubá, O Que é Que a Baiana Tem?, Bambu do Bambu, Adeus Batucada, Vatapá...

Presto aqui minha homenagem a este Homem com H - maiúsculo mesmo!